Afonso Vázquez-Monxardín
Estramadura, e a decisión do PSOE
Vem de deixar-nos fisicamente o que, no ano de 1956, criara em Ourense a 'Cidade dos Muchachos' e, com o circo da mesma, colocou no mapa mundial a nossa cidade e província. Figura controvertida como poucas, merece sem embargo a nossa homenagem e tambem clarificar a sua errada andadura na última década da sua vida. Pois nom é nada fácil compreender como o pai termina por matar a sua criatura, tal como fez ele nom há muitos anos ao solicitar à Conselharia de Educaçom o feche da escola e, desta maneira, a renúncia ao concerto educativo. Concerto que nos últimos tempos era a única entrada de dinheiro que tinha para manter aberta a sua Cidade dos Rapazes. Acho que eu conheço bastante bem o projeto da Bemposta-Naçom dos Rapazes, pois, baixo o título de 'Realizações da Educaçom Personalizada na Bemposta-Cidade dos Muchachos de Ourense', em 1973 apresentei na Universidade Complutense de Madrid a minha Tese de licenciatura, que mereceu a calificaçom de sobressainte por parte do júri que ma julgou. Dirigida polo meu professor e estupendo pedagogo Víctor García Hoz, já desaparecido, para elaborá-la, durante os anos 72 e 73, quase todas as tardes teve que subir às dependéncias da Bemposta, para conhecer em vivo e em direto o labor que alí se realizava, as atividades, os obradoiros, a escola internacional de circo, o horto escolar, as diferentes instalações, as assembleias diárias, as pessoas que, eleitas democraticamente, governavam aquela escola-cidade modélica, na que se respeitavam as ideias filosóficas e religiosas de todos os bempostenhos. A cópia da minha tese de licenciatura, com fotos antigas e históricas muito valiosas que me fornecera o fotógrafo do nosso La Región Henrique Reza, e que deixei para a biblioteca de Bemposta (suponho que aínda se há de encontrar alí), serviu como base fundamental para várias teses de doutoramento de investigadores da Alemanha e mesmo do Japom, muito interessados polo projeto inovador que no campo da educaçom suponha a Bemposta de Silva Méndez.
Nom sei por qué, Jesús Silva sempre se enfadava conmigo, e nos últimos tempos muito, quando lhe contava uma verdade meridiana: que o que inspirara a criaçom da Cidade dos Muchachos de Ourense fora o seu visionado do formoso filme 'Forja de hombres' do diretor Norman Taureg, que teve a sua estreia em Ourense precisamente no ano 1956. Com uma magistral interpretaçom de Mickey Rooney, no papel dum rapaz acolhido na 'Boy´s Town' de Omaha em Nebraska, e de Spencer Tracy, fazendo de criador e diretor da mesma, o padre irlandés Flanagan. Esta Cidade dos Muchachos americana continua funcionando no momento atual e tambem tinha um circo ambulante. Quando Silva olhou o filme na sala ourensana, teve a feliz ideia de criar na nossa cidade uma instituiçom similar, quase com os mesmos princípios educativos e organizativos. Os inícios foram na parte velha com o programa 'Tra-pa-bo-cha' (trapos, papel, botelhas e chatarra). Mais tarde ocuparam a casa da mãe de Silva perto das Burgas e o antigo cárcere, onde se instalaram os obradoiros e a imprensa. Como, por sorte, o projeto progressava, terminaram por instalar-se na quinta de Seixalvo. Graças ao labor extraordinário de Silva, os seus rapazes e docentes, desta pequena república escolar sairam formados em muitos campos do saber e das artes e ofícios infinidade de rapazes. Que muito lhe devem a Bemposta e a Silva, e que lho reconhecem aínda que possam criticar algúns erros cometidos por ele. Eu defendim quase até o último momento este projeto e um dia, estando com o conselheiro da Junta da Galiza, Currás, naquela altura solicitei-lhe que nom fechara as escolas de Bemposta. Ele contestou-me bastante enfadado que sempre cumpria a legalidade, e como o feche lho pedira o diretor e fundador, ia fechá-las, tal como assim aconteceu. O projeto terminou como o rosário da aurora e mesmo hoje estam abertos infinidade de conflitos judiciais arredor do mesmo. Acho que, ademais dos erros de Silva e seu irmao, o tema urbanístico, a atitude de muitos políticos diante das hiper-críticas de Silva na sua TV, o conflito com os docentes de impossível soluçom e outro bom número de asuntos, terminaram com um projeto educativo muito importante que tinhamos em Ourense e muito valorado no esterior. Eu mesmo, depois de reunir-me com o quadro de professores, algúns dos que foram alunos meus na Normal, e de escutar as suas opiniões sobre os graves problemas que alí havia, especialmente dos que me falava a mestra María, a mais antiga, que dedicara às escolas bempostenhas toda a sua vida, nom teve mais remédio que anunciar que nom podia seguir apoiando a Silva. Que, mais tarde, quando me encontrava nas ruas da cidade, nom deixava de insultar-me, berrando em alto com ameaças. E, sem embargo, tenho que reconhecer que no seu labor com a Bemposta há mais de um setenta por certo de cousas positivas e de acertos, que todos temos que valorar. A outra percentagem fica para o campo das sombras e nom das luzes. Que espero que algum dia possam desvear-se.
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