Carlos Risco
COSAS QUE CONVIENEN
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A guerra na Ucrânia já dura há quatro anos, sem que se percebam avanços claros para a resolução do conflito. Não parece que a sua resolução venha da vitória militar de um dos dous contendores, pelo que ou virá de algum tipo de negociação entre as partes, liderada pelos Estados Unidos, ou do colapso económico de um dos combatentes, que o obrigará a aceitar as condições do outro. Não é nada estranho, a guerra moderna entre combatentes com forças desiguais, desde o Vietname, basea-se não tanto na vitória no campo de batalha, mas si no facto de o ator mais poderoso ter de incorrer em custos tão elevados, políticos e económicos, que não compensa continuar o conflito, e creo que é isso que está a acontecer nesta guerra. De momento, não se percebe qualquer sinal de colapso na Rússia, ainda que a sua economia esteja a sofrer com a queda dos preços do petróleo a nível mundial e com o facto de, devido às sanções, ter de o vender com desconto à China ou à Índia, grandes beneficiárias do conflito, ou de o fazer no mercado negro através da sua «frota fantasma» de petroleiros que operam sob bandeira de conveniência. Além disso, tem de recorrer à inflação, velha companheira das guerras, para poder continuar a manter a sua capacidade de combate. Se a isto se acrescentar que tem de recrutar soldados permanentemente, que são afastados das suas tarefas produtivas, e que tem de renunciar ao desenvolvimento da indústria civil para atender à sua indústria militar, pode-se afirmar que não vai conseguir manter a guerra por muito mais tempo, nas circunstâncias atuais. A situação da Ucrânia é muito pior, pois, além do esforço bélico, tem de enfrentar a perda de capacidades-chave na sua indústria, agricultura e setor energético. Ainda assim, desde o catastrófico primeiro ano, em que a sua economia caiu 30%, tem experimentado uma certa recuperação nos últimos três anos. A sua economia, de qualquer forma, depende de que os seus aliados europeus continuem a financiar boa parte do seu esforço bélico. Não é possível determinar neste momento qual das duas cairá primeiro.
A situação da Ucrânia é muito pior, pois, além do esforço bélico, tem de enfrentar a perda de capacidades-chave na sua indústria, agricultura e setor energético.
Mas o que esta guerra prova é a magnífica capacidade de adaptação que as economias de mercado têm para se adaptar a quase todas as circunstâncias, incluindo conflitos armados. Após a confusão dos primeiros dias, que afetou o preço do petróleo e do gás a nível mundial e o preço dos cereais, como o trigo, uma vez que a Ucrânia é um dos maiores produtores mundiais, e que ameaçou causar escassez de alimentos em muitos países pobres do mundo, incapazes de assumir esses aumentos de preços, os mercados rapidamente se ajustaram e, em pouco tempo, ambos se estabilizaram a preços semelhantes ou mesmo inferiores. É o caso dos hidrocarbonetos, bastante mais baratos hoje do que há quatro anos, afastando-se assim o espectro da escassez e até mesmo da fame. O único aspecto negativo é que parte da capacidade industrial dos países vizinhos está a adaptar-se à produção de armamento, cada vez mais sofisticado, em vez de dedicar o seu capital à produção de bens e serviços que melhorem as condições de vida da população. Se o conflito perdurar, nos depararemos com uma indústria militar superdimensionada que será difícil de adaptar novamente às condições de paz. Esperemos, então, que o conflito termine logo, porque, economicamente falando quando for necessário enfrentar os custos da reconstrução, o pior ainda pode estar por vir.
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