Vinho e castanhas

Publicado: 14 nov 2025 - 05:40
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Ou tal vez castanhas e vinho. Não sei quem foi primeiro, não só no tempo que também no serviço a gente. Na época na que andamos ambos são novos e coetâneos, mas na sua origem há diferenças. A castanha, os castanheiros, é uma espécie autóctone da Península Ibérica que topou refúgio climático na Galiza e Portugal ante o avance do frio da última glaciação, alimento básico milenário desde o Paleolítico, até o ponto de que quando chegou a pataca (sec. XV) foi chamada inicialmente “castanha da terra”. A penetração de Roma fomentou seu cultivo e desenrolo na Gallaecia. O vinho, a vitis vinífera, investigadores manifestam que foi introduzida na Galiza polos romanos, produzindo-se a vide no Sec. I na área do Minho-Sil e no sec. III nas Rias Baixas, ainda que poderia haver aproveitamento da vide silvestre desde a Idade do Ferro. Total que se a maior antiguidade corresponde á castanha o certo é que formaram um importante binômio no que a castanha era alimento para o corpo e o vinho para o espírito (polo de aquilo de esquecer tristezas); não sei que beberiam antes do vinho, há investigadores que apostam pola cerveja, que já o poeta valdeorrés Gurriaran alcumava como “agua choca”.

Há mais de 35 anos Pepe Posada que na sua fértil diversidade já escrevera o primeiro livro importante sobre os vinhos galegos

Pois esta milenária conjunção, que deu lugar aos magustos, unida á imaginativa simpatia de Pepe Posada levou-o a inventar, no seio da Irmandade dos Vinhos Galegos, a Festa da Castanha que no mês de novembro reúne no Parador/Mosteiro de Santo Estevo a mais de um cento de irmandinhos, amigos e familiares em jornada completa na que não falta cata de vinhos, ingresso de novos irmandinhos, magusto, aperitivo, almoço, dozes e licores com base na castanha, música, etc.

Há mais de 35 anos Pepe Posada que na sua fértil diversidade já escrevera o primeiro livro importante sobre os vinhos galegos, aplicara seus conhecimentos para melhorar, comercializar, expandir e potenciar os vinhos galegos, dirigira adegas e formara parte da constituição de entidades que prestigiassem nossos vinhos, alumiou a ideia de constituir uma Confraria que acolhesse todos os vinhos e DD.OO galegas; que comentou numa reunião tabernaria com José Manuel Anguiano e Manolo Cabezas que aprovaram a ideia e ao que nos sumamos algum mais para em diversas reuniões perfilar a estrutura econômica e legal no novo ente que decidimos chamara-se “Irmandade dos Vinhos Galegos” que, como boa irmandade galega, teria seu Roi Xordo, que recaiu no poeta Manuel Maria, Secretario que seria Pepe Posada, com caráter de “perpetuo” por própria eleição, Sindico, que seria J.Manuel Anguiano e assim outros cargos, correspondendo a mim uma espécie de relações públicas e custodio de que os novos integrantes cumprissem com os requisitos Estatutários. O primeiro Capítulo da Irmandade, o de seu nascimento, foi em 1.991, no Pazo de Vilamarim, com assistência de mais de 50 juramentados novos irmandinhos, de toda Galiza, maioritariamente províncias de Ourense e Pontevedra. Ao final o Sanedrim, órgão colegiado supremo, rematou formado por Pepe Posada, Manuel Maria, J.Manuel Anguiano e eu mesmo que á morte de Manuel Maria passei a ser o Presidente com o nome de Preboste (pois reconhecemos a Manuel Maria como único Roi Xordo). Mas na realidade o que ordenava era Posada que, com sua inabarcavel vitalidade, dirigia toda a vida confrádica, organizava todos os eventos e reuniões e compartia com Anguiano a eleição dos vinhos para as catas; por isso a seu falecimento Anguiano e mais eu ficamos conturbados pola forte amizade que a ele nos unia e sentir-nos órfãos na continuidade de uma Irmandade que já havia rebasado os 100 membros, levava vários anos de vida ativa, com reuniões trimestrais, coincidindo com os solstícios e os equinócios e amplo reconhecimento no mundo do vinho; decidimos manter-nos ao frente de Irmandade, com a conformidade do corpo social, e durante vários anos entre os dous tratamos de continuar a obra de Posada; só anos mais tarde incorporamos ao Sanedrim outros irmandinhos, especialmente um Secretario (que necessariamente teria que ser Vigário pois Posada era Perpètuo) que é Angel Pascual, Sindico Manuel Rajo e Conselheiro Guillermo Diez. Tivemos também que chorar a morte do amigo, fundador e inefável Anguiano.

Como a vida segue, continuamos celebrando a Festa da Castanha, como sempre no Mosteiro de Santo Estevo, que este ano terá seu dia o 22 de novembro. A Irmandade dos Vinhos Galegos e sua Festa da Castanha são tributarias do amor e respeito que polos vinhos galegos sentia Pepe Posada.

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