Fermín Bocos
Desacreditar a los jueces
Nos anos 90, os debates de Samuel Huntington sobre a terceira vaga de democratização, que analisavam os processos de difusão desta forma política no mundo e, em especial, na América Latina, estavam em voga na ciência política. Os países latino-americanos imitaram as anteriores vagas de democratização europeia e adoptaram formas de política assimiladas às nossas. Agora, este processo parece estar a inverter-se e são os países europeus que adoptam as formas de política latino-americanas e as adaptam às caraterísticas dos sistemas políticos europeus. Mas não imitaram as formas dos países que, na minha opinião, seriam mais dignos de o fazer, mas sim aquelas que são menos aconselháveis. Parece que as práticas de Maduro na Venezuela e de Ortega na Nicarágua foram observadas como uma inspiração para adotar, devidamente legitimadas, medidas que só podem ser consideradas democráticas com muita relutância. Suponho que, quando observaram que nesses países era possível limitar a concorrência eleitoral invalidando os líderes da oposição e que, no final, essas violações do espírito democrático não tinham consequências para eles, pensaram que não seria má ideia adoptá-las também aqui. Tanto mais que as instituições europeias não só não as condenam, como parecem apoiá-las, ainda que aparentemente só de forma tácita.
Se fosse num país da América Latina, esta mesma atitude seria acusada de ser ditatorial ou, pelo menos, de ser típica de uma república bananeira
Os países da UE parecem aprender depressa. Já tiveram a experiência de insistir na repetição dos referendos sobre o euro ou sobre os processos constitucionais europeus que tinham sido resolvidos com resultados negativos para as élites europeias, até que se revelaram positivos. Mas agora parece que querem ir mais longe e condicionar as eleições de tal forma que os candidatos que questionem os projectos da Comissão não possam concorrer. Na Roménia, o tribunal eleitoral decidiu primeiro suspender as eleições quando percebeu que um candidato considerado pró-russo, Calin Georgescu, depois de passar à segunda volta, tinha possibilidades sérias de ganhar a presidência do país. O Tribunal Eleitoral invalidou então a sua candidatura e a do seu substituto, chegando mesmo a instaurar um processo penal contra o candidato derrotado. Se fosse num país da América Latina, esta mesma atitude seria acusada de ser ditatorial ou, pelo menos, de ser típica de uma república bananeira, mas quando é apoiada pelas potências europeias torna-se pouco menos do que uma defesa da democracia face à interferência russa. Mas as instituições democráticas da Roménia devem ser muito fracas ou o seu eleitorado muito ignorante para que alguns bots russos, que custam alguns milhares de euros, sejam capazes de distorcer eleições democráticas num país do primeiro mundo.
Algo semelhante, e ainda mais preocupante, acaba de acontecer na França. Por um caso relativamente menor de corrupção, que em Espanha seria perdoado quase ex officio, a candidatura da presidenta da força mais votada nas eleições francesas foi suspensa, suponho que por razões semelhantes às do caso anterior. Não duvido da imparcialidade da justiça francesa ou da justiça do processo, mas tudo indica que ou não sabe medir as consequências dos seus actos, o que só pode conduzir a uma maior polarização política no país, ou mesmo parece coincidir com os interesses dominantes na Europa, identificados neste caso na pessoa do Presidente Macron. Só sei que uma forma tão peculiar de querer defender os valores democráticos europeus, em primeiro lugar, não confia nos seus próprios cidadãos e, em segundo lugar, só pode trazer ainda mais desordem e instabilidade ao já muito estragado espaço europeu.
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