Carlos Risco
LA CIUDAD QUE TODAVÍA ESTÁ
El banquito de piedra que aún queda en el jardín
No final dos anos 70, estava na moda um livro de Alain Peyrefitte, traduzido para o espanhol como El mal latino (O mal latino), no qual se descreviam os males das sociedades latinas e da francesa em particular. Ele alertava contra a tecnocracia e o estatismo, já muito presentes há cinquenta anos no seu país, e como esses fenómenos acabariam por levá-lo ao estancamento e à decadência. Parece que os franceses, tanto o povo como os seus governantes, não aprenderam muito com o livro e, lentamente, com altos e baixos, as suas previsões parecem ter-se concretizado e a França chegou a uma situação de difícil retorno. O prémio de risco francês, voltamos a falar deste indicador novamente, já é superior ao espanhol, ao português e até ao grego, o que significa que cada vez mais recursos têm de ser destinados para pagar a sua dívida pública, cada vez mais elevada. Com a desvantagem de que ao ser seu crescimento económico previsto muito baixo, não é previsível que a sua dívida diminua em relação ao seu PIB. É uma economia atualmente estancada, mas com as mesmas previsões de aumento dos gastos, sobretudo em pensões e saúde, que outros países vizinhos, pelo que não se vislumbram perspetivas de melhoria a médio prazo, a menos que sejam feitas reformas de certa profundidade.
E não tenho a menor dúvida de que conseguirão mais uma vez. Bayrou vai submeter-se a uma moção de confiança que muito provavelmente perderá, o que o obrigará a procurar um substituto, provavelmente dentro do chamado bloco do centro que inclui os socialistas, e que teria de renunciar às reformas para ser ratificado, ou obrigar o senhor Macron, na minha opinião um dos políticos com menos entidade da Europa, a convocar eleições.
Mas estas reformas são politicamente impossíveis e é nisso que consiste o mal francês atual. O primeiro-ministro Bayrou propôs uma série de recortes e um aumento dos dias úteis, reduzindo os días de festa. Nada de outro mundo, comparado com os recortes que enfrentaram países como Portugal ou a Grécia nos tempos crise ou a Argentina actual de Javier Milei, mas estas medidas tímidas, que também não fariam muito para resolver a situação, devem parecer excessivas a muitos franceses, que já convocaram manifestações para tentar impedir a medida, algo que já conseguiram em muitas outras ocasiões. E não tenho a menor dúvida de que conseguirão mais uma vez. Bayrou vai submeter-se a uma moção de confiança que muito provavelmente perderá, o que o obrigará a procurar um substituto, provavelmente dentro do chamado bloco do centro que inclui os socialistas, e que teria de renunciar às reformas para ser ratificado, ou obrigar o senhor Macron, na minha opinião um dos políticos com menos entidade da Europa, a convocar eleições. Nestas eleições, é muito provável que os partidos do centro fiquem reduzidos à mínima expressão, pois, escarmentados pelas traições de Macron, o bloco republicano não funcionará desta vez, e também que a disputa se desenvolva entre os dous extremos de Melenchon e Le Pen. Isso obrigará os moderados a tomarem partido por um dos lados,polarizando ainda máis a sociedade. Isto é o que acontece com o tão elogiado modelo francês de segunda volta . Mas nenhum dos extremos quer reformas, em ambos os casos querem reforçarainda máis o modelo económico actual e reverter as poucas mudanças que foram feitas.
O problema não é só dos franceses, pois imersos como estamos numa união económica, é muito difícil que os seus problemas não resolvidos acabem por afetar a estabilidade monetária da União, pois se às pressões para refinanciar a dívida francesa, que não é precisamente pequena, se somar a situação vacilante da economia alemã, que provavelmente também solicitará financiamento adicional, o valor da nossa moeda comum será afetado e valerá cada vez menos, com o seu correlato no aumento dos preços. O problema é que, se os grandes forem autorizados a infringir as regras, não haverá qualquer incentivo para que os restantes o façam. Mas depois não nos queixemos do declínio da Europa e de que o mal francês se contagie.
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